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Eu que já não espero teu carinho
veria teus lábios rosa desencadearem meu sorriso?
Aquele que já não te espera
sentiria teu perfume de flor
em suas curvas de flor?
Ou cuspiria um escarro enquanto você passasse
e sentiria uma asa de mim não mais bater
enquanto tua postura decidida se distanciasse?
Eu que só sou feito de vento e de mar;
veria teus lábios rosa
teu horizonte rosa
e me diluiria e escorreria
descendo ao chão
colorido pra teu prazer.
E eu que nunca mais seria mar
te veria uma vez mais em azul ou rosa,
me seqüestraria em tuas folhagens
e nunca mais seria livre de suas pétalas.
Eu que já não deixo as águas por você
nunca mais seria mar
nunca mais ouviria ar
viveria afogado
se ao menos te arrastasse
ou te afogasse
pra bem fundo
e bem distante
do meu mar,
do teu ar.
No imenso azul não veríamos a luz solar
eu não me secaria e você não voaria.
Não te aprisionaria e você não voaria,
não enlouqueceria e você não voaria,
não despertaria: e você nos voar iria.