(Comente e faça uma pessoa feliz, FELIZ NATAL!)
Alguns dias atrás meu irmão comentou que os seres humanos eram os únicos seres do planeta que não nascem com a humanidade. Um bebê quando nasce não sabe que tem que andar com 3 camadas de roupas, e falar papai pro cara que cuida dele. Um bebê quando nasce não sabe que tem que ser o melhor naquilo que quer fazer. Um bebê quando nasce não sabe que se não for interessante não consegue companheira. Um bebê quando nasce não sabe teclar em um computador. E também não sabe que saber teclar é essencial. Humanos precisam aprender a ser humanos.
Diferente de ratos! Meus dois camundongos do estilo rato de laboratório, são exatamente iguais fisicamente, estritamente idênticos, o branco do pêlo, os bigodes, o comprimento do rabo, os olhos vermelhos, o fedor de urina, as orelhas longas. Mas um dia quando eu tava observando eles, descobri que existe algo de diferente, mas esse algo está alem de uma característica.
Fiquei chocado quando realmente percebi que um dos ratos era medroso, e assim que eu me aproximava da gaiola ele subia para o 3º andar para se esconder no meio de grades, e esse bicho ficava quieto lá, escondido, até que a curiosidade vencia o medo e ele descia a escada contando os passos, um na frente do outro. Cuidadosamente, ta uma olhadela pra lá e pra cá, tenta captar algo com as orelhas, e logo que percebe que to ali por perto já volta correndo pro esconderijo (que não é escondido) e fica lá o tempo todo, se escondendo de mim. Pensando, fazendo ócio produtivo, me analisando, aquele pequeno abismo de possibilidades olha de volta para mim, como se fosse me etiquetar e por em uma fileira de um super mercado, tentando saber onde aquele produto se encaixa. E depois disso ele vê que eu estou tentando não fazer barulho e começa a descer as escadas, devagar, passo a frente de passo, e quando eu menos espero ele volta pro seu esconderijo, e recomeça sua analise, me testando, me medindo, me analisando. Me usando como cobaia. Sim, exatamente, esse é o Jim Morrison.
E o outro rato está lá em baixo, escalando a grade para descer dentro da toca, pronto para enfrentar o medo, pois sua curiosidade é extrema e ele não mede esforços para uma diversão, animado e perspicaz essa bola de pêlo, anda pra lá e para cá, sobe no pote de comida, bebe água, e eu ainda ali. Sabendo do perigo, ele fez todos esses truques, escalas as grades, arruína com os dentes a jaula, afia as unhas na toca. E eu ainda ali, me desafiando, me testando, querendo saber até onde eu vou. Pronto para me desfazer em um olhar. Curioso me testando a cada momento, calculando meus movimentos enquanto disfarça isso se escondendo dentro da toca. Me fitando com seus olhos vermelhos, dentro da toca a espreita. Até que sai novamente, vai pra lá e para cá, brinca, come e bebe. E o perigo ali, a olhar para ele e ele nem sentindo sua presença, me fazendo de bobo enquanto eu tendo analisá-lo e ele me analisa. Me analisa muito mais, pois ele sempre foi um rato, e ninguém precisou ensina-lo. Sim, exatamente, esse é o Sid Vicious.
Porque enquanto eu aprendia a destingui-los eles já me analisavam, eu nunca entrei dentro daquela toca, mas eu tenho certeza que no meio daquele monte de papel, eles estão escrevendo um livro, “Homo Homo Sapiens, Por Que Tão Imbecis?”, dentro daquele toca, eles têm uma versão do Principe do Maquíavel, Capital do Marx, Hamlet do Shakespeare, Mein Kempf do Hitler, Bíblia Sagrada. Porque dentro daquele toca existe um Mundo onde humanos não entram. um Mundo inigualável, onde se ver guinomos não é sinônimo de loucura, onde o amor é a lei, o amor sobe vontade. Onde tudo é da lei, onde você pode ir para qualquer lugar do Mundo sem passaporte, afinal o Mundo é seu. Onde não existe política, pois todos são políticos de si mesmos. Onde ratos não precisam escrever uma rota de fuga, onde lamber sapo dá barato. Onde respeitam a sua opinião, onde não riam da sua cara, onde não falam mal de você pelas suas costas, pois você não tem costas lá. Onde o Coelho Branco está sempre atrasado, onde a Alice faz as maravilhas do Mundo, onde nós todos somos reis. Onde não existe despedida, porque não existe partida. Onde não existe tristeza, pois ninguém é mais feliz que você. Onde o amarelo não é para o mau-gosto. Onde a consciência do Javali pisca sem se preocupar, onde você pode viver pela própria lei. Onde ninguém precisa de férias, pois já estão de férias. E onde você pode morrer quando quiser.
Lucas Lins.
PS: Eu só quero um motivo pra ser narcisista!