Friday, November 24, 2006

Veteranos

(Comente meu texto, não lhe custa nada, nem tempo.)

Sim, cá estou eu. Atrás de paredes de vidros, em uma estante muito bem arrumada, cheias de medalhas, troféus, armas e tem até um prato que pertenceu aos inimigos, não sei como a suástica não tirava a fome dos nazistas. Nessa prateleira arrumada e sem poeira é o lugar em que vivo meus últimos momentos, últimos de gloriosos momentos. Que não são nada comparados a estar na prateleira de um veterano da Segunda Grande Guerra.

Vamos começar do começo, tudo que me lembro da minha infância é que fiquei vários anos nos estoques de coturnos da Força Aérea Americana, até que um dia, dia maravilhoso, sai daquele escuro baú, ganhei cadarços e um dono. Não era realmente um dono, era um grande companheiro. Seu nome era Charles W. Sweeney, quando o conheci pela primeira vez, era apenas um recruta que se forçava muito nos estudos para se tornar um piloto. E foi que conseguiu, depois de uma batalha marcante nas fronteiras da Polônia, ficamos 6 meses nas trincheiras, até invadirmos a cidade a tiros. Foi um dia sangrento a primeira morte do Charles me marcou muito, mas a mim do que a ele, ele perfurou a carne do alemão, com a baioneta do rifle, o sangue dele espirou, ele cai de joelhos e vomitou sangue nos pés de Charles, marcas irreparáveis.

Nossa segunda batalha foi mais tranqüila, no conforto de uma base marinha, nós não saiamos do avião nas batalhas e nem havia contato com o inimigo. Minha vida como coturno foi sangrenta, mas não pensava que seria tanto até o dia 9 de agosto de 1945. Dia macabro, eu não consiga enxergar o sol do chão, mas com certeza aquele não era um dia ensolarado e com passarinhos cantando. Me lembro de ir a sala do de-brief e escutar umas discussão entre os comandantes, até um deles dizer que não poderíamos deixar eles fazerem o que quisessem com nossos soldados, e então, socando a mesa ele gritou sobre lançar o fat-boy.

Eu naquele momento não fazia idéia do que seria aquilo, pela barulheira e correria sabia que iríamos para o ataque, e que eu e o Charles iríamos cavalgar o céu com o novíssimo modelo B-29, iríamos para um ataque sério, eu podia sentir a canela dele tremer a cada passo em que se aproximava do B-29.

Dentro da cabine, já no ar, Charles perguntou se eles tinham certeza do que estavam fazendo, e o general, sim o general respondeu a uma chamada de um rádio, aquilo só podia ser sorte ou algo muito importante, as palavras dele foram severas e disse que não tínhamos certeza de nada. As pernas do Charles tremeram mais do que nunca, quando ele levantou com o polegar a trava de segurança e depois pressionou o botão vermelho, o avião deu um solavanco e eu pude escutar o assobio da bomba caindo. Charles fez o retorno rápido, tremendo e rezando, o batimento cardíaco dele era rápido, muito rápido. Ficou mais ainda quando um estrondo ecoou nos ares, o céu ficou amarelo e o cogumelo se formou.

Depois só vieram medalhas para o Charles, e um cubo de vidro na casa do neto de meu companheiro para mim. Até que as causas naturais tiram Charles de mim, no dia 18 de julho de 2004, um dia ensolarado e com passarinhos cantando. Charles costumava dizer, que se não enfrentarmos as aranhas, nunca atravessáriamos um campo florido. Será que depois de tantas aranhas, ele encontrou seu campo florido? Será que os alemães encontraram seus campos floridos? E acima de tudo, pra onde vão as aranhas que ele esmagou no caminho? Vale a pena esmagar aranhas para encontrar seu campo florido? Onde está meu campo florido? Já esmaguei muitas aranhas?

Lucas Lins.

PS: Redação que eu fiz pra aula de Português. Uma narração sobre sapatos (¬¬) Fato importante: usei fatos reais no meu texto.

Posted by L. L. in 01:38:40
Comments

7 Responses

  1. Gabi... says:

    lucas…estou sem palavras…e o mais imprecionante de td é q vc fez essa redação na aula de portugues…d++…parabens!!! de verdade…

  2. L. L. says:

    Valeu =)

    Mas não foi bem na aula, o Ramon disse “tragam amanhã” e eu levei. Tive tempo pra pensar. Só isso.

  3. L. L. says:

    Uma coisa que me esqueci de falar (ou escrever?), usei o termo aranhas só porque a Gabriela tem aracnofobia O_O

  4. L. L. says:

    Outra coisa que me esqueci,

    “Narrar é como jogar pôquer, você finge que mente quando esta falando a verdade” :cool:

  5. BiHh************* says:

    uouuuu………
    qnd eu leio as redaçoes do lucas eu me sinto sem futuro.. hauhuahuahua
    qnt vc quer pra fazer minhas redaçoes na aula do ramon???
    ahh nem vai adiantahh.. eu nunca vai acreditar q eu fiz uma redaçao dessas msm.. hauhauh
    o jeito eh me contentar com meus 5 da vida… e me divertir lendo as redaçoes dos outros.. hauhauh
    parabens.. essa fiko loka…

  6. L. L. says:

    Valeu pelos elogios.

  7. Gabi... says:

    L. L., obrigada! lembrarei disso futuramente

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