Saturday, December 23, 2006

DEVANEIOS

Ao peregrinar em meus devaneios, passei por muitos encontro e desencontros. Cantei viva, com o Raul, caminhei pela cidade e vi as luzes acesas enquanto escutava aquele refrão… “Essa justiça desafinada é tão humana e tão errada. Nós assistimos à televisão também, qual é a diferença?” Assisti Cazuza clamar pela sua ideologia e continuei minha jornada, atravessei muitas cidades, conheci muitos paises, corri com Forest Gump e ao passar pelo “time square” escutei: “spread your wings and fly away, fly away, far away. Spread your little wings and fly away fly away, far away”.Então pensei: Que seja! Abri minhas asas e voei, voei bem alto até chegar a outros mundos, visitei a Terra do Nunca e conheci Peter Pan duelei com o capitão gancho e escutei tic-tac, fui até a floresta onde os bardos habitam, dancei com as fadas cantei com os bardos aprendi com os elfos e dormi sob o orvalho.

Acordei e abri meus olhos então percebi que estava voando, do alto avistei lá na montanha o bruxo contado na cantiga dos bardos desci, e bebi com ele, escutei suas historias e suas sabias palavras, depois em fui, alcei vôo e voei em direção a Terra de Oz, andei pela estrada de tijolos amarelos e dei Adeus a bruxa má. Conheci o espantalho e o Mágico de Oz, fui até o “Mundo de Sofia” mas lá não encontrei Sofia, visitei Alice no país das maravilhas, tomei chá com o chapeleiro e falei oi ao coelho atrasado e disse tchau para a rainha.

Fui ainda mais longe e tive de abaixar para entra na humilde casa dos 7 anões, vi Arthur tirar Excalibur da pedra e vi quando Merlim derrotou a bruxa, conheci as brumas e lutei ao lado de Lancelot, fui dar um olá para os 3 mosqueteiros Athos, Porthos e Aramis, não encontrei o 4º um tal de “dar, tar nhá” um treco assim.

Vi o “Papa Léguas” fugir do Coiote e o Perna Longa me disse: “ E ai velhinho?” encontrei com o Mickey e brinquei com o Pluto, visitei o cofre do Tio Patinhas e fui-me embora, fui até a lua, e lá dormi.

Acordei, abri meus olhos e a luz quase me cegou pouco a pouco fui distinguindo a parede do meu quarto, e meu colchão, me levantei e me dirigi até a aporta abri e sai, foi quando me dei conta que não sabia onde estava, só sabia que não era minha casa, pensei: “Não foi um sonho afinal!” Foi aí que me dei conta de como eu estava andando se não havia chão, tentei abrir minhas asas, mas lembrei que ser humano não tem asas e então….Cai e continuei caindo, caindo, caindo, caindo, o chão cada vez mais próximo então…. De repente… Tudo escureceu.

Marcos Alberto

Nota: “let your imagination fly”

ps: “try to believe, the magic is real, forget your rules, drink the wine, dance within the fairies and be happy” by: anonimo

Show me the heart unfettered by foolish dreams and I’ll show you a happy man.”
“But only in their dreams can men be truly free. ‘Twas always thus, and always thus will be.” (Trechos de A Sociedade dos poetas mortos)

Posted by M.A in 21:21:37 | Permalink | Comments (8)

O Templo dos Pequenos Deuses.

E a mosca decolou da merda, rodopio no ar com suas patas molhadas com um delicioso e gelado excremento humano. Mas não de qualquer humano, não isso não. Aquele amontoado de merda veio de uma bunda decente, de um executivo de sucesso, que passou seu final de semana longe da metrópole e do abismo de ferro, em uma cidade do interior onde possui uma fazenda. Em um dos seus passeios, a diarréia roubou novamente sua educação e ele foi obrigado a escolher entre sujar as cuecas ou o mato, mas em ambos os casos teve que sujar bunda.

Se existe alguma pessoa que realmente tem sucesso profissional, é o dono daquela merda. A garagem do sujeito é - em alguns casos - muito maior que uma casa comum, e em alguns casos até mais que uma casa comum, isso sem mencionar o número de garagens que o homem possui, e também sem falar no conteúdo das garagens, e das casas que guardam as garagens. Mas esse sujeito não é egoísta, ele merece o que tem, trabalhou muito por isso e até ajuda alheios. Teve até um momento – que ele se orgulha muito de contar aos amigos, nos finais de semana em que passa longe da metrópole – que quando ele foi presentear a pequena família carente do subúrbio com uma casa, a Dona Senhora, enquanto segurava um filho no colo e mão de um outro filho pequeno, disse com os olhos cheios de lágrimas: “Você só pode ser Deus”

Alguns dias depois, lá na fossa dessa senhora, onde toda a merda da família dela ia parar, uma mosca pousou, fez a sua parte para ajudar no fim daquela sujeira, e partiu. Porém essa Dona Mulher, não era lá tudo que se espera de uma mulher, mesmo não tendo várias garagens, e nem conteúdo pra por nas garagens, ela negava ensino para seus pequenos anjinhos, alegando que de qualquer maneira, não vão aprender mesmo. Não se empenhava em mudar a situação financeira da família, ta certo que por ela não ter marido as chances dela caiam muito, talvez até para zero, e talvez a culpa nem seja dela, e também, pra que trabalhar? “O governo agora me sustenta”, pensava nas noites em que perdia o sono, por não ter sonhos realizados. Mas uma hora ou outra, ela e seus filhos acionam a descarga no vaso.

E na esquina da casa dessa mulher mora um mendigo, aquele velho estereotipo de velho louco, sem chances, sem família, sem ninguém além de seu cachorro, e de seu cobertor. Nas tardes de quarta e segunda, esse velho senhor barbudo, passa vários minutos agachado em baixo de uma árvore, escondido por um ângulo que ninguém perde pra ver, graças ao intestino dele que funciona com um despertador. Não é uma fossa grande, mas é um amontoado suficiente para um mosca perder alguns horas, e é o que ela realmente faz.

Lá do outro lado do globo, onde um glorioso pontífice resolve problemas mundiais, discute sobre guerras, sobre a fome da áfrica, sobre os subúrbios brasileiros, sobre a mortalidade infantil, sobre gravidez na adolescência e em alguns casos até faz tratados de paz. Mas em um momento ou outro senta seu lustroso popô, em uma bacia de bronze, com o assento banhado de ouro, onde depois de alguns minutos, aciona a descarga e vê o pequeno redemoinho levando a santa merda, não pra uma fossa, do outro lado do globo se usa de esgotos, e lá no esgoto, entre ratos, baratas, e talvez até crocodilos, a mosca senta sobre a merda santa, suja as pequenas patinhas da deliciosa guloseima verde.

Depois de tamanha maratona mundial, as moscas voltam para suas casas, lares de papel, que com qualquer oscilação na estrutura vai ao chão, lá dentro elas conhecem algo que nenhum ser capaz de cagar e não limpar pode ver. Vê o infinito, um infinito de estrume, pois além de todas as bostas humanas, têm a bosta do planeta Terra, que queiram ou não, elas classificam como humanos.

Do lado de fora dos lares flutuantes das moscas, onomatopéias gritam e giram prontas para saldar e glorificar os pequenos santos que sentam em seus tronos coloridos. Prontos para descansar, pois sua guerra santa é tão enorme quanto qualquer matança, tão triste quanto qualquer genocídio, e levada tão a sério quanto qualquer criança. Mas uma hora ou outra as moscas deitam em suas camas, e rezam. Rezam pra quem? Pro Senhor das Moscas? Não, talvez não. Mas com certeza, não sonham, pois vivem em seus sonhos.

Amém, dizem eles aos deuses, e, “sai pra lá” para os pequenos deuses. 

Lucas Lins.

PS: Bizzzzzzzzzzzzz bizzzzzzzzzzzzzz zummmm zummmmmm zimmmmmm zummmm bizzzzzz.

Posted by L. L. in 00:18:44 | Permalink | Comments (3)