Wednesday, January 31, 2007

O Grito de Misericórdia.

Você pode escutar? Eu sei que pode, é como um coração que está insatisfeito, bate com discórdia e rancor. Soa como a briga de um casal que tinham se prometido reciprocamente não brigar. Soa como o fim. Soa como o som que um bebê deficiente de Esparta faz ao ser jogado abismo à baixo. Soa como uma respiração artificial.

Esse é o som que ouço. Soa como uma mentira. Ou como uma omissão, como um silêncio ensurdecedor da cidade-muda.

Esse é o som, o som dos 108 passos até a forca. O som da forca esticando ao peso do corpo, o som o pescoço sendo esmigalhado. É o som do coro natalino, de um natal sem significado e sentido. É o som de um réquiem, é o som da despedida.

Esse som é um mantra intragável e misterioso, guardado por séculos por sábios, gênios e alquimistas. É o som de um eclipse solar perfeito. É o som da surpresa, é o som da barriga roncando. É o assobio do napalm caindo. É o som que os olhos fazem ao piscar. Quanto mais você toca, quanto mais você experimenta, quanto mais você doa, quando mais você negocia, quanto mais você compra, quanto mais você cheira, quanto mais você faz mais, você escuta.

É o som do exercito marchando. É o som da ponte caindo, é o som da montanha vindo ao chão. É o som da avalanche. É o som da erupção! Corra! Corra! Corra! É o grito de socorro! É o som da parede sendo construída, é o som da parede sendo derrubada, é o som da poeira levantando, é o som da poeira sufocando, é o som da poeira engasgando é o som da poeira matando. É o som da poeira transformando em cinzas. É o som do delicado trovão! É o som da forja e do forjador. É o som do clic fotográfico.

É o grito de dor! É o desespero! É o som do disparo, é o som do acerto, é som da caída. É o som do corte da espada, é o som do cristal, é o som do relógio vital. È o som que todos escutam, mas todos fingem não escutar.

É o som do grito amaldiçoado. Mas também é o som de dois corações sincronizados. É o som do relógio vital. É o som da foice da morte… Mas também é o som do choro do bebê nascendo. E é o mesmo som da mãe chorando ao filho morto. È o som do arrependimento alheio. É o som do homem correndo pela vida, é o som do homem correndo pela vitória. Também é o som do violino, e do piano.

É o som do pulso. É o som do batimento cardíaco. É o som do peito vazio, é o som…

É o grito de misericórdia, é o som do inferno, é o som do céu. É o som do céu azul mascarado por dor. É o som da chuva caindo, é o som do sol queimando, é o som do fogo tragando. É o som da lembrança… É o som do sândalo, que perfuma o machado que o fere. É o som das águas que sustentam a lótus.

É o som das teclas. É o bater de asas das fadas! É o bater de asas das fadas! É o bater de asas do urubu, do corvo e das borboletas.

É o grito de misericórdia. Tenha misericórdia de nós! Por Deus! Pelo amor de Deus! Esse, é o grito de misericórdia!!

Mas como dizem, é melhor do que ser surdo. Afinal, também é som do smac do beijo. Seja o beijo de despedida ou de amor. Pois além do pedido de misericórdia, existe a misericórdia e o perdão, que dão a luz ao som da gratidão dos anjos, o seu som. O nosso som. 

Lucas Lins

PS: Seja como o sândalo, que perfuma o machado que o fere - Ghandi

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Friday, January 26, 2007

Por quê tem que ter titulo???????

 

 

 

Quem sou eu? Onde estou? Por que eu estou aqui? Qual foi o motivo que me trouxe aqui? Por que eu quero que tenha um motivo? O que é aqui? O que sou eu? Não consigo entender, não posso simplesmente aceitar, eu preciso saber, eu tenho que descobrir a resposta, eu não preciso ter como provar, eu não me importo, se eu encontrar a resposta, eu vou saber, eu vou sentir, aquela vai ser a minha resposta e de mais ninguém, a minha razão, o meu porque.

Vivemos a vida em busca de um “por que”, o nosso mundo, nosso universo, é revestido de porquês, existem pontos de interrogação em tudo a nossa volta, tentamos entender tudo, deis de o comportamento humano até o funcionamento da vida, tentamos entender até o “por que” de tentarmos descobrir “por quês” somos claramente viciados em enigmas, e não importa quem seja, de onde seja, que língua fale ou que costumes tenha, um dia ao menos da vida ele parou e pensou “por que”.

O “por que” é claramente uma parte da natureza humana. E por que seria? Simples a duvida é a mãe do conhecimento, ao secar-se a duvida, acaba-se o crescimento interior, nós evoluímos por que questionamos, nós entendemos por que questionamos, nós destruímos por que questionamos, nós criamos por que questionamos. O “por que” tanto cria como destroem, o resultado da duvida pode ser tanto benigno quanto maligno.
Platão dizia que quando nascemos, já temos em nossas mentes a idéia das coisas, que nós já sabemos tudo que existe e quando vemos nós podemos reconhecer, por já ter uma idéia do que é. Eu descordo, nós nascemos com o poder de duvidar, e isto nós leva a conhecer, quando você vê algo que nunca viu a primeira coisa que passa na sua cabeça é “o que é isto?” A duvida brota na sua mente, o conhecimento não provem de uma idéia já existente mas provem de um questionamento, da procura de uma razão, quem nunca se questionou do porque de não poder respirar embaixo da água enquanto os peixes o fazem com tanta facilidade?, Quem nunca se perguntou por que não pode sair voando pelos céus? Ao fazer estas perguntas adquirimos conhecimento, o que vamos fazer com este conhecimento? Bem, is to já é um outro “porque”.

Marcos Alberto

Nota: O Maior inimigo da duvida, é o medo de descobrir.

Ps: “Penso, logo existo. Ou penso, pois existo? O que existe, nós ou nossos pensamentos? Talvez nós não estejamos aqui, apenas nossas mentes criando um mundo irreal para o nosso entretenimento, talvez eu seja fruto de sua imaginação, ou talvez você e eu sejamos um fruto da imaginação alheia. Nos questionamos o tempo todo sobre diversas coisas, mas raramente paramos para pensar por que estamos aqui e por que vivemos e sofrendo… Devemos nos perguntar? Não sei, mas mesmo assim eu pergunto, mesmo sem obter as respostas. Eu pergunto, e mesmo sem saber o porquê das perguntas, me pergunto, por que? Eu não sei, não sei…” ·
Rei Ayanami(Neon Gênesis Evangelion)

 

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Thursday, January 25, 2007

Epitáfio Lunar.

Era uma noite densa, escura e fria. Daquelas que só acontecem quando menos esperamos, o dia daquela noite foi quente, muito quente, ensolarado, típico de uma região tropical. Um dia daqueles que um russo adoraria ter. Mas aquela noite foi o contrário, exatamente o contrário. Uma noite digna de Londres e seus pubs, ou de um deserto e suas areias. Uma noite para se vagar sozinho no centro da cidade, com um belo sobretudo e de olhos atentos no céu, pois estava magnífico.

Naquela noite pessoas morreram e pessoas nasceram, como em qualquer outra noite. Mas nessa noite havia uma morte em especial. Uma morte que só havia acontecido de um lado do planeta, e aconteceria algumas horas depois do outro lado do globo.

Mas depois disso haveria um nascimento…

A lua estava cheia no céu, brilhava como leite, as nuvens em volta dele diziam que o dia havia sido quente o suficiente para evaporar muita água e fazer muitas nuvens. Era impressionante como essas nuvens ficavam em volta da lua, em alguns momentos elas se organizavam como um bálsamo negro para a lua, e em outros como uma mão, que segurava a mais delicada das flores.

Não demorou ao vento soprar forte, gelado e estranhamente energizado. Era o grito, o aviso do vento dizendo que uma tempestade estava chegando. E ela veio, como um dama vestida de preto como a noite, mas doce como o pecado, ela vinha rápido cobrindo o céu com as suas nuvens. Um gota ali, outra aqui, e antes que pudéssemos nos dar conta, a tempestade já havia tragado toda a cidade em gole bem grande.

Mas no céu, as nuvens não haviam coberto a lua. A chuva era monstruosamente forte, e caía em gotas gordas, como um choro de um bebê gigante. Ninguém estava percebendo, estavam todos entretidos, todos ocupados, ocupados demais para ver o que ninguém via. Estava acontecendo um drama terrível no céu. A lua estava morrendo e ninguém percebia, e na sua agonia tremenda, a nuvem chorou. O vento tentou conter sua dor com um grito vazio.

Enquanto as nuvens a segurava em seus braços, tentando acalmar a sua terrível dor, se pudessem eu teria certeza que elas transfeririam a dor da lua para si próprias, mas não podiam, a única coisa que podiam fazer era assistir. Nos braços das nuvens, a lua deu seu último suspiro agonizante e se foi para o horizonte, sem fechar seus olhos ancestrais, ela foi carregada pelas nuvens até o fim do horizonte, acompanhadas pelo coro heróico do vento…

Depois do triste velório, só restava saber que o sol viria, e na próxima noite, o nascimento da minguante…

No epitáfio lunar: “O ciclo nunca cessa. Jamais.”

Lucas Lins.

PS: Lunático.

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Thursday, January 18, 2007

Chuva forte. Chuva linda.

O prelúdio das águas de março começou. O fim do ciclo eterno, onde a água volta de onde veio, e vai para onde veio novamente. Mistérios atemporais, onde o começo é o fim, e nada mais importa. É incrível que um bale tão gracioso de gotas pode criar destruição e caos. Elas caem ordenadas, elas caem desordenadas, elas caem finas e grossas, elas caem lindas, aterrorizantes, amedrontáveis, mas nunca, nunca horríveis.

Eles regam os menores brotos, fracos e sem estruturas. Também regam as grandes árvores, que grandes escondem o sol dos pequenos brotos. Mas há chuva, e ela alcança. Quando tudo está pior e tende a piorar existe lágrimas e mais lágrimas, mas antes de tudo ainda há chuva. Chuva para se esquecer de tudo, e acabar se molhando pra valer, afinal se está na chuva, é para se molhar.

Longe, depois dos campos, além de tudo, e no meio de todos, no topo da montanha, onde orvalho se mistura a gotas de chuva, sobre todos, distante. Bem depois da chuva, há o coração. O coração da tempestade. Onde tudo é o que parece ser, onde o pote de ouro se encontra, onde faunos desenham labirintos e onde nasce o arco-íris.

Pois a chuva pode ser considerada má. A chuva pode destruir casas. A chuva pode alagar rios, matar ursos, levar dinheiro, e trazer discórdia. Pode fazer muitas coisas ruins, pode trazer morte e frio, pode causar acidentes e machucar. Mas antes de julga-la, devemos lembrar, que ela nós traz o arco-íris.

Afinal, o que seria dos momentos bons, se não tivesse momentos ruins.

Como um anjo que vêem a Terra periodicamente, para nos julgar, para nos fazer pensar, para limpar as ruas. E sempre que esse anjo vêem, sapos e rãs cantão em coro, para saldar a mais humildade das entidades, pois é uma das poucas que toca a todos, sem escolher raça ou credo. Ela alcança todos, seja por goteiras, seja por enxurrado, seja por quer que seja. Ela alcança, penetra em vãos, penetra barragens, mata a sede. Até quando chorar? Até quando esperar o brilho íris em forma de arco? Viva, sem ou com. Como quiser, apenas viva e se molhe, pois além de tudo há chuva, em todos nós. E se há chuva, há nuvens.

Pois, de qualquer buraco que você esteja, de qualquer poço, você pode ver as nuvens, e conseqüentemente pode chover, e assim pode ser abençoado pelo anjo púrpura e gelado da chuva.

Em mim, em você, neles. Em todos nós. Ainda há chuva. Beba e desfrute desse choro angelical.

Lucas Lins.

PS: Apenas mais uma idéia derivada.

Posted by L. L. at 23:00:30 | Permalink | Comments (15)

Wednesday, January 17, 2007

Tente Acreditar

É sempre assim, parece fantasia, a magia de ser criança, mas logo vem um adulto e diz que a idade chegou, que a magia acabou, que você acordou e que tudo de um sonho não passou, que fadas não existem e que os duendes conversando embaixo da cama são apenas insetos andando na noite. Mas você sabe, você sabe que não é verdade, você sabe que se você quiser você pode falar com as fadas e elas vão te guiar para um mundo mágico onde tudo é possível, onde o cachorro fala feliz aniversario, onde a estrada dos tijolos dourados irá te levar ao grande mágico, sim você sabe, mas naquela manha ao abrir os seus olhos e olhar pra janela esperando encontrar as fadas te chamando, vindo te buscar para aquele muno maravilhoso, tudo que você vê é o sol, belo e reluzente clamando por você, e a voz de alguém que diz que esta na hora de levantar, na hora de ir pra escola diz ela, então você percebe que a magia não existe, ou pelo menos não quer se mostrar pra você, que tudo aquilo que você via quando era mais jovem havia morrido junto com sua infância, naquele dia que disseram a você “ Agora você já não é mais criança”, sim aquelas simples palavras acabaram com sua infantilidade, naquele dia a fantasia se escondeu de você e agora você não é ninguém, pelo menos não ninguém especial, Final feliz não existe, você pensa.

 

E a vida continua, você se forma, tem um bom emprego, uma boa família, uma vida, você nem se lembra mais daqueles dias em que pra você a única coisa que importava era correr por aí imaginado ser um príncipe, um cavaleiro, um bruxo (muito mais legal), um herói ou um vilão, hoje sua única preocupação é o pão de cada dia, você nem para pra pensar em como sua vida se tornou mecânica, casa pro trabalho, do trabalho pra casa, fim de semana com a família, ou churrasco na casa do amigão, futebol na TV, sempre stressado por causa do trabalho, tão preocupado em se manter existindo que esquece de viver, enquanto isto seu filho ta vivendo o mundo de magia dele, já não é mais como aquele que você vivia, a terra acabou por ser povoada de mais por pessoas como você que a magia já foi quase esquecida, afinal pra que magia e você tem tecnologia, pra que conjurar um gigante falcão quando se pode pilotar um avião, pra que raios cósmicos saindo das mãos, quando pode se destruir todo um planeta apertando um botão, a magia se escondeu deste mundo perverso, se escondeu bem fundo no âmago do coração humano.

 

Mas as areias do tempo continuam a fazer seu trabalho e lá esta você se aposentando, o merecido descanso depois de anos de trabalho sofrido, pois é mesmo os bem sucedidos tem de trabalhar duro e você não foi exceção, agora você tem um bom dinheiro guardado, sua aposentadoria mensal, da pra viver bem pro resto da vida, compra uma chácara afastada da cidade e vai pra lá, no meio da mudança você encontra aquela caixa, sim aquela onde você guardou os velhos livros, as velhas fantasias, os seus brinquedinhos feitos a mão, sua espadinha de Peter Pan, sua flautinha de hipnotizar as serpentes, seu estilingue de Joãozinho seu cajado de mago, e quando menos percebe você esta lá brincando novamente, e então você percebe que as fadas sempre estiveram ali, trancadas, você mesmo as tinha trancado naquele dia muito tempo a traz e quando seu netinho chega no fim de semana, a primeira coisa que faz é levar ele para de baixo de uma arvore, para lhe contar velhas historias, guarda o vídeo game bem guardado e apresenta um mundo de venturas para ele, aventuras que vão muito alem das mostradas no vídeo game “aventuras reais” pensa você, vou dar a você o que não dei ao meu filho, pois eu era tolo de mais, cego de mais, você pensa, vou mostrar as fadas a você e ensinar a sua dança. Venha, venha eu vou apresenta-la a você, esta é sininho siga ela e ela vai te levar para a terra do nunca onde as crianças jamais deixam de ser crianças. E então você se lembra que foram estas as palavras que seu avô lhe disse, já há muito tempo, e você fica pensando: “Seria este um ciclo sem fim” será que depois que eu morrer, vão dizer ao garoto que magia não existe e que tudo não passou de um sonho, mas as areias do tempo nunca param e logo o relógio da vida faz seu chamado, porem antes de atender ao chamado você ao seu neto. “Tente acreditar que a mágica é real olhe por sua volta. Então corra nos campos. Dance com as fadas e esqueça suas regras. Bem vinda á nossa terra” Tuatha De Danann.

Marcos Alberto

Nota: Sim, sim foi o Labirinto do Fauno que me inspirou

Ps: “Aqui nestas árvores, os elfos dançam e cantam
Cantam para os pássaros da lua e das árvores
Eles eram seus amigos – grandes amigos que você tem esquecido
Eles moram nos seus sonhos”
Tuatha De Danann.

 

 

Posted by M.A at 20:25:39 | Permalink | Comments (7)

Saturday, January 13, 2007

…………………………..E=MC²………………………….

 

 

Sabe, hoje eu acabei me lembrando de um gibi que eu costumava ler muito, era um gibi do pato Donald ele chamava “Donald na matemagicalandia” eu ainda tenho ele em algum lugar no arquivo, mas não faz diferença, eu acho que este gibi foi uma das coisas que me fez ter este gosto que eu tenho pelas ciências exatas, pelos números e suas mágicas, foi nesse gibi que aprendi o truque com o tabuleiro de xadrez, foi esse gibi que me deu minha primeira aula de geometria e também foi esse gibi que me mostrou como tudo tinha um pouquinho de matemática, o interessante de tudo, é que o Lucas escreveu sobre sonho apenas um texto abaixo, o Donald no gibi vai parar na terra da matemagicalandia em um sonho também, ele tem um divida com o Tio patinhas, e a divida nunca diminui mesmo ele pagando(a quantia que ele pagava era menor que o juros corrido), ele enfurecido com isto resolve vender algumas coisas e pega emprestado com seus sobrinhos um livro de matemática para auxiliar nos cálculos e lá fica ele fazendo seus cálculos quando repentinamente aparece o “Espírito da Matemática” que guia ele através do safári pela “matemagicalandia”, a terra onde as raízes quadradas realmente são quadradas, e o mais interessante é que quando o Donald acorda, ele corre desesperadamente para a casa do tio patinhas e lhe faz uma proposta ( ele faz a proposta do tabuleiro de xadrez), e o tio patinhas fica chocado quando vê o tamanho da bobagem que havia feito, os seus sobrinhos o questionam onde ele havia aprendido pois não havia nada referente no livro deles, Donald simplesmente responde “ora! Na matemagicalandia” como se fosse obvio.(se alguém quiser o gibi emprestado eu empresto só preciso encontra-lo no meu arquivo)
Ah sim quanto ao “truque do xadrez” eu vou comentar sobre nas próximas linhas.
Bem contei esta historinha babaca pra vocês simplesmente por prazer pessoal, mas realmente o gibi foi um grande empurrão, e depois teve um grande ponta pé chamado “O Homem que calculava” que me jogou de cara no mundo das exatas e me mostrou que era ali que eu tinha que ficar.(a propósito um ótimo livro eu recomendo)

Deis os tempos primordiais a humanidade já possuía talvez o que venha a ser seu maior dom, a curiosidade, a curiosidade humana é sem sombra de duvida o que fez entendermos tanta coisa, embora este “tanta coisa” seja infinitamente pequeno diante de tudo que há para entender, ainda assim é louvável, a ciência é bela e neutra, o conhecimento não faz mal a ninguém, o perigo esta nas mãos de quem detém este conhecimento. Se existe um sentimento que é tão antigo e tão humano quanto à curiosidade, é a ganância, a ganância humana somada a curiosidade humana gerou um mau uso do conhecimento, logo quando algo de errado acontece, não culpe a ciência, mas também não culpe os cientistas, tente se colocar no lugar deles, e pense o que você teria feito, e acredite seu altruísmo é pura fachada existe um ser humano dentro de você e isto você não pode negar. Bem esta é minha opinião é claro, opinião cada um tem a sua.

O que realmente importa é que nós após conversarmos com a natureza começamos a tentar “traduzir” suas palavras para uma linguagem mais humana, no principio nasceram os filósofos e começaram a traduzir e dai nasceu duas ciências a matemática e a biologia, a biologia estudava a vida e seu funcionamento, enquanto a matemática era utilizada para traduzir em linguagem humana a beleza do mundo, a matemática procurava a perfeição que nunca iria encontrar, logo foram sendo atribuídas aplicações praticas a matemática e ela começou a ser subdivida em áreas, primordialmente surgiram duas aritmética e geometria, a aritmética estudava a lógica e os cálculos, enquanto a geometria estudava as medidas e as formas, extrair formas perfeitas da beleza imperfeita da natureza, mais pra frente com os avanços surgiu a mecânica que era a utilização da matemática para facilitar as tarefas do dia a dia, logo resumidamente podemos dizer que alem de um “dicionário” a matemática também é uma grande caixa de ferramentas, se você souber que ferramenta usar para cada tipo de problema sua vida se tornará muito mais fácil, a partir daí surgiram inúmeros ramos da ciência, conforme os estudos iam avançando, as descobertas iam sendo feitas, de um pedaço de madeira a um foguete, de uma roda a um tanque de guerra, seja para explorar seja para guerrear, seja para o que for, li esta a ciência pondo seu dedo, auxiliando, não há quem viva sem ciência sem tecnologia, até a mais primitiva das tribos existentes nos confins do planeta, possuem sua própria tecnologia, sua própria ciência, suas medidas, sua matemática.

Hoje nas escolas, temos digamos que 3 divisões simples das ciências, humanas, biológicas e exatas. As humanas estudam o comportamento humano, sua historia, se habitat, sua língua e etc…
As biológicas estudam a vida existente no planeta, não só a vida humana, mas todo tipo de vida conhecido, estudando as condições para existência de tal vida, o “como” tais seres se mantêm vivos e etc… As exatas ao meu ver auxiliam os estudos das biológicas, são “divididas” em duas áreas, química e física, sendo que ambas são totalmente dependentes da matemática a qual esta presente em quase todo tipo de estudo feito hoje em dia.

A física estuda o “como” e busca uma explicação para o acontecimento dos fenômenos que presenciamos todos os dias, sejam eles naturais ou não, quais s condições necessárias para tais fenômenos acontecerem, como reproduzi-los, como prevê-los, como explicá-los, como explicar o funcionamento do universo? Seria esta a grande pergunta que motiva a física a existir.

A química estuda o “por que” ela busca explicar não só como acontece, não só o processo, mas por que acontece? Por que tem que ser assim? Por que o céu é azul e não roxo berrante? Por que minha mão queima quando eu a ponho no fogo? Em quanto à física mostra com a minha mão queima a química procura o “por que” dela ter queimado. Eu prefiro enxergar a física e a química como uma ciência só, ambas buscam uma explicação, e a soma das duas te da essa explicação, é como um corpo com duas cabeças onde ambas trabalham no mesmo problema abordando forma diferentes de estudo para obtenção de um resultado mais proveitoso.

A matemática, a matemática visa simplesmente desenvolver ferramentas que possibilitem a resolução de tais questões, sendo assim as diversas áreas existentes na matemática, seriam enxergadas como as divisões de uma caixa de ferramentas, onde cada divisão estão as ferramentas para cada tipo de problema, deis de trocar um pneu até construir um gerador nuclear.

Os números são usados para atribuir valor, para facilitar a resolução dos problemas, eu poderia passar mais horas e horas contando sobre os números, mas não vejo motivo pra isto, atribuir valor às coisas é uma necessidade humana e os números são a linguagem que descreve este valor, os números são usados pra tudo as pessoas usam eles sem ao menos perceber.

Marcos Alberto

Nota: Parei por aqui se não ia ficar muito grande

Ps: “Existem 10 tipos de pessoas no mundo, as que entendem binário e as que não.”

 

Posted by M.A at 18:22:28 | Permalink | Comments (6)

Thursday, January 11, 2007

Até se chocar.

Eu não lembro o que aconteceu antes, realmente não lembro. Talvez eu tenha dormido, mas não sei.Eu sabia que havia acabado de assistir 2 filmes, Os Bons Companheiros e Mundo Cão. Por isso, eu havia puxado e arrastado meu computador para perto da cama, assim podia assistir o filme deitado na cama. Os pés da mesa em que ficava o computador passava por baixa da cama, o monitor ficava o mais próximo da cama o possível, o que fazia o teclado ficar mais próxima ainda e por conseqüência a parte da mesa do pc que apóia o teclado ficava por cima da cama.

Quando me dei conta, eu estava deitado na cama, eu estava deitado com os pés onde deveria estar a cabeça, e assim minha cabeça ficou bem embaixo do teclado. Quando eu abri meu olho só vi a parede do meu lado. Sai dali com cautela para não bater a cabeça no teclado. O clima dentro do meu quarto estava bem gelado, quase frio, estava uma sensação de azul no ar, e a escuridão me lembrava incensos. O computador ainda tocava “Província Universo” o progressivo tinha dominado o recinto e o frio gelava a nuca.

De pé, vacilei e tentei ver as horas, era tarde, tarde o suficiente para todos estarem em casa, mas não estavam, mas cedo o suficiente para no horário de verão o sol ainda estar no céu. Andei até a porta, meus pés tremiam e não eram firmes, minha mão encontrou a maçaneta e a girou como quase por instinto. No outro cômodo, o sol invadia pela janela do quarto de minha mãe, passava pela porta aberta dela, e alcançava a escada, alcançava o espelho que fica bem na frente da porta do banheiro. Aqui estava tudo diferente, abafado o calor dominava, o sol estava quente o suficiente para a diferença entre estar ou não em foco por ele. O piso estava morno e meu pé sentia inteiramente a temperatura. Aqui eu senti um cheiro de bege, não sei como, mas o sol batia na parede bege do corredor e deixava tudo com um cheiro tão bege quanto o do próprio bege.

Bem a baixo do espelho que fica na frente do banheiro, tem um bíblia, e uma cruz com uma réplica de Jesus pregado nela. Algumas velas aqui e ali, e tudo batia na minha cabeça me estrangulando, a diferença entre os ambientes era tanta que meu cérebro se desincronizou do cerebelo e em um coito selvagem meus neurônios gritaram e berraram, minhas células se fatiaram em múltiplos pedaços e tudo que eu pode sentir fui um impacto “realmente real” na minha cabeça. E enquanto tudo isso acontecia eu senti na minha pele, no meu ser, que ultrapassar a barreira de um mundo, é tão estranho quando externizar o interior. Foi como entrar em um portal alienígena e ser teletransportado para uma realidade paralela, onde para se chegar, tudas as suas moléculas tem que se desprender de si, virar nada, e no final de viagem, se agruparem e voltarem a ser a imperfeição em si, como ir para outra dimensão temporal onde bege tem cheiro.

Quando me dei conta, havia sonhado e durante o sono, me assustei e levante a cabeça em frenesi e sem perceber me choquei com o teclado do PC. Foi tudo um sonho, ou para me salvar eu acreditei que havia sonhado. Mas com certeza, pensei duas vezes antes de sair do quarto novamente. Quando olhei no monitor, estranhamente o Word estava aberto, e eu não entendi direito mas nele tava escrito “vvvvvvvvvg” eu não entendi direito, mas minhas mãos entenderam que deveriam escrever. Escrever a experiência de estar em outro planeta por segundos, como não sonhar pela janela, como realmente ambientar ambos mundos. Como entrar numa toca de uma coruja na noite escura, como segurar o universo nos braços por alguns segundos, como pular em um abismo infinito, sendo sua única certeza que esta caindo. Caindo, apenas caindo…

Até se chocar.

Lucas Lins

PS: Como num sonho… O interessante é que vários “v”s juntos, simulam vários “w”s. Isso me confundio, mas as minhas mãos não.

Posted by L. L. at 21:28:13 | Permalink | Comments (8)

As Bruxas e seus Algozes.

Vejo eles se aproximando todo o tempo, como vozes que nem sei de onde vêem, metamórficos e corajosos, cretinos que vêem a nossa presença. Como o inverno, como imagens nas suas veias, veios de imagens que vêem. Na morte da noite é impossível, é impossível não ser percebidos por eles. Eles te espreitam como a coruja noturna que apenas observa sua presa correr pelo mato, inútil. E útil eles atacam.

Fantasiados de fumaças que sobem aos esgotos sujos, camaleônicos como o vento que sopra sobe sua face na noite mais fria, amedrontador como luzes noturnas, amedrontador como a selva noturna! São como o choro da guitarra, que gótico amaldiçoa a noite, templos. Suas moradas são as noites e seus salões o pôr-do-sol . Como a fumaça fina e escura que o cigarro expele, cigarro do assassino, que antes de matar, beija o crucifixo. Eles são a Cruz Episcopal que amaldiçoa vivos e benze mortos. Luzes e sombras, sonhos e serpentes. Imagens que nem sei de onde vêem.

Que cruzam nossos caminhos, caminhos tortuosos, caminhos que serpenteiam a séculos, soprando lembranças ao Patriarcal. Como uma província que não reside o universo, como abutres, como corvos que sempre atacam os olhos. Olhos tremendos e tristes, desesperados e soberbos, magníficos e profanos, que um dia foram tudo, mas hoje todos são alimento, alimento para o corvo e para o verme.

O sangue que escorre, escorre como um animal que espreita a caça, e pinga como o ataque de uma víbora, e que caí ao chão branco, como um padre que ataca a prostituta. Luzes e sombras. Sonhos e serpentes. Como no inverno. Mas, nos basta simplesmente saber, saber que vem verão, e que depois do sol se pôr, ele nasce. Éramos tantos e agora somos um. E olhávamos o mundo, com olhos de felinos atrozes acuados, e agora fitamos, como a neblina que permeia.

E no fim, não passamos de ser como as bruxas e seus algozes. Imagens que nem sei de onde vêem.

Lucas Lins

PS: Uma questão de bom-senso, seria uma revolução (ou evolução?) se todos tivessem. De minhas sinapses para o blog, do blog para o mundo. Luz e sombras, sonhos e serpentes.

Posted by L. L. at 16:46:50 | Permalink | Comments (2)

Monday, January 8, 2007

Palavras ao Vento

        Bom dia, como estão?(não precisam responder, sei que vão mentir dizendo que estão bem), os anos vão passando e cá estamos nós em 2007, eu deveria falar algo celebre mas to meio sem idéias então só gostaria de lembrar 2+7 = 9 e 9 é múltiplo de 3 logo 2007 é divisível por 3, o que significa que este ano completa o terceiro período sexcentésimo sexagésimo nono(669º), bem isto não tem nada a ver com nada, mas foi só pra falar um pouco de abobrinha mesmo, terminado as abobrinhas preliminares vamos as abobrinhas seguintes, o texto.

Eu andei reparando, tem algumas palavras que as pessoas sentem extremo prazer em utilizar, não todas as pessoas, mas uma grande maioria, palavras tais como: Desculpa, obrigado, bom, sim(quando lhe pedem alguma coisa), sabe eu questionei meus superiores(pais) sobre o assunto e eles disseram que se trata de uma coisa chamada, educação, bem até aí tudo bem mas sei lá as vezes me parece que o mundo viciou nestas palavras, não existe mais sentimento nas coisas se é que vocês me entendem, as pessoas fazem as coisas mecanicamente por educação, por que foi ensinado a elas que devem fazer assim.

A palavra “desculpa” é em particular uma que me irrita muito, as pessoas transformaram ela numa palavra trivial, as pessoas falam desculpa sem nem pensar o por que de estarem se desculpando, você esbarra em alguém e a pessoa vira e te pede desculpas, ela acabou de se desculpar por não ter percebido que você não a tinha visto e assim ter impedido você de esbarrar nela, você é claro uma pessoa educada diz a ela que não foi nada que a culpa foi sua e tudo mais. Agora um caso mais emocionante, você andando pela rua, chuta uma pedra, tropeça e cai em cima de alguém acertando seu cotovelo na pessoa, você rapidamente se desculpa, e a pessoa com aquela puta dor responde “tudo bem não foi nada, ta tudo bem com você?” Acredite ele ta te xingando por dentro (na maioria das vezes), a palavra desculpa significa de acordo com o dicionário: “arrependimento de quem julga ter ofendido, contrariado ou aborrecido outrem”, eu não consigo entender como que arrependimento, virou uma coisa automática, sabe se arrepender de algo é muito difícil nós somos demasiados humanos pra nos arrependermos com facilidade, tanto que nós necessitamos até criar uma definição do que é arrependimento, para que possamos reconhecer quando acontecer, e como que nós expressamos nosso “arrependimento” de forma tão trivial, saímos por ai falando a torto e a direito “desculpa, desculpa” sem nem ao menos nos perguntar, eu realmente estou arrependido? Eu não vou fazer novamente? Eu não quero fazer novamente? E a pessoa que ta aceitando suas desculpas, será que ela para pra pensar, não, não, nós atribuímos nosso próprio significado a palavra desculpa (obviamente não é mais sinônimo de perdão), hoje em dia desculpa é simplesmente uma forma de dizer “não foi minha intenção” e aceitar desculpas é falar “tudo bem isto acontece”.

Sabe, eu queria com este texto, mostrar como isto me incomoda, a falta de sentimento que deixamos na fala hoje em dia, falamos só por falar, as palavras tem um poder enorme, e nós as usamos de forma leviana, nunca paramos pra pensar nas conseqüências de nossas palavras, infelizmente só vamos entender tudo isto quando as conseqüências batem a nossa porta, antigamente se pensava mais rápido do que falava, hoje nós falamos mais rápido do que pensamos, quando nossa mente se da conta a palavra já saiu e daí você pensa: “Falei sem pensar!”

Marcos Alberto

Nota: não liguem para a falta de conteúdo, vocês mesmo devem extrair o conteúdo, pensem no assunto.

Ps: “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida” Provérbio Chinês



Posted by M.A at 14:18:38 | Permalink | Comments (7)

Não me recordo muito bem, mas…

Eu acho que a minha memória mais antiga foi o dia em que eu aprendi a escrever meu nome, eu era pequeno, bem pequeno, e acho que não freqüentava a escola ainda. Por falta de tempo, minha mãe não conseguia cuidar de mim, então, eu ia trabalhar junto com ela, e ela acabava cuidando dela de mim e do meu irmão. O comércio dos meus pais naquele tempo era bem menor do que é hoje, e sendo assim, não havia porque contratar funcionários, então, mãe e pai, e uma tia minha, davam conta de tudo sozinhos.

Eu me lembro que era um fim-de-semana, nos primórdios nós trabalhávamos aos domingos, e aquele dia provavelmente era um domingo. Minha mãe recortava algumas figuras da revista de catálogos de produtos para serem re-vendidos, ela colava essas figuras em uns papéis em ordem alfabética, escrevia o nome do objeto, e passava para eu copiar. O que fazia com que eu aprendesse a ler e escrever bem cedo. Eu estava fazendo um desses exercícios, não era bem como escrever o nome do objeto e sim, só copiar o nome. Eu me lembro que alguém tinha me chamado. Me chamado pelo nome, “Lucas!”. Acho que foi isso que me deu a idéia de tentar escrever meu nome.

Foi tudo bem fácil, só por letra na frente de letra. Mas havia um desafio a mais, eu me lembro perfeitamente que não sabia como fazer o ‘l’ maiúsculo, eu peguei um desses papéis que minha mãe fazia para me ajudar a ler, e procurei a letra ‘l’, como eram fotos retiradas de catálogos de produtos, só tinha objetos a venda. Eu lembro que copiei o ‘l’ de ‘lâmpada’.

No final ficou tudo bem feio, tremido, e possivelmente com algumas letras escritas ao inverso. O interessante foi que eu sonhei isso ontem. Foi como desenterrar uma memória que estava soterrada por outras mais recentes, e é sempre bom fazer isso, antes que elas morram asfixiadas.  Também foi interessante, muito interessante, que eu sem saber, estava começando a escrever a minha obra literária mais importante, eu mesmo.

Lucas Lins.

PS: Não quero perder o costume dos PSs.

Posted by L. L. at 03:01:22 | Permalink | Comments (3)