Monday, May 28, 2007

Assim na Terra como no Céu.

 Aí vai uma redação que escrevi há alguns dias para a aula de prática de redação, é uma dissertação com o tema: “Favela, a nova senzala”. Estou postando ela porquê não consigo escrever nada que preste já há duas semanas, e pra não abandonar o blog, Lá vamos nós:

    * * * 

 “Senzala: Grupo de habitações destinados aos escravos”.

“Favela: Conjunto de casebres, densamente povoados e construídos de maneira precária”. – Dicionário Houaiss.

Se a favela é a senzala, basta saber se seus habitantes são escravos, tudo indica que são, indiretamente, mas são.

São tratados como se fossem, sofrem preconceito como se fossem e o governo vira a face para eles como se fossem.

As formas precárias das senzalas fazem os moldes das favelas, e a busca do escravo pela liberdade é paralelo e análogo ao objetivo do favelado, que busca maneiras para sair das favelas. As quais quase sempre são falhas.

Assim como nas senzalas, as favelas traçam moldes culturais de periferia, como a capoeira da senzala, como uma contracultura que forma um impulso e um tentáculo para o avanço e expansão da favela, formando também uma certa independência cultural. Independência cultural que a senzala também possuía, com credos extraídos diretamente de um passado próximo africano.

Assim como nas senzalas. Sofrem pressão, e formam um grupo étnico, formado por sonhadores frustrados, anjos caídos e massa populacional. Escravizados indiretamente, mas escravos.

Agora, basta a nós, esperarmos os Quilombos.

    Lucas Lins.

Posted by L. L. at 05:30:42 | Permalink | Comments (1) »

Monday, May 14, 2007

Repare na bagunça.

Fique a vontade. Fique a vontade e repare na bagunça. Repare mesmo! Repare nos livros ali no chão, naquela toalha usada ali do lado, repare também naquela pilha de revistas. Porque, mesmo sendo uma bagunça, eu faço parte dela, e o fato dela ser tão intensa assim faz eu ser quem eu sou.

Cada meia, cada cueca, cada cinza de incenso que percorre o chão, cada parte dessa bagunça é uma parte minha, seja essa tal bagunça como um reflexo de cada uma das minhas sinapses desordenadas. Reflexo de cada lampejo de consciência, de cada crise de identidade, de cada baboseira que ousou percorrer o meu ego.

Se sou quem sou, é culpa, pura e simplesmente dessa bagunça. Pois faço parte dela, e ela de mim. Cada idéia que tive, tive porquê semeei nesse fértil solo. Fértil solo que alguns chamam de bagunça, que alguns chamam de “produto de má educação”, que alguns chamam de toca. Que eu chamo de lar.

Então, repare na bagunça. Repare mesmo!

            Lucas Lins.

Posted by L. L. at 22:14:31 | Permalink | Comments (2)

A Tinta

Nesse exato momento, não sei qual é o momento exato, nem meu relógio sabe, mas paira entre 00:53. Nesse exato momento descobri qual é a glória da escrita. E ela não é uma mulher.

Acontece que é maravilhoso você ver seus dedos bailarem com uma caneta no palco papel, ou ver seus dedos bailarem sozinhos no palco teclado, enquanto, em uma estranha página virtual as letras vãs vão aparecendo.

Aí que está, você pode fazer isso quando bem entender, e se não quiser bem entender faça também. A grande magia de escrever esta em manipular as letras, em vez de eu estar colocando letra após letra para descrever como é legal fazer isso, eu poderia simplesmente, escrever mis.kiq oowie, não que precise ter algum significado, pois, significado só a mim basta. Gramática? Gramática basta aos anúncios de jornais.

Escrever tem uma glória que só nesse verbo reside, por exemplo, se eu quiser começar a escrever, começo, simplesmente, se me cansei de escrever, paro, simplesmente. Se quiser voltar depois, posso, pois diferente da pintura, a tinta nunca seca.

As letras sempre estão ao meu alcance, seja para escrever sobre a aranha que está passeando dentro do meu cérebro, seja sobre a fumaça do incenso, ou seja até mesmo, para responder a uma inspiração que veio sem delongas ou rodeios no meio da noite.

As letras sempre estão ao meu alcance, quer dizer, enquanto eu estou sentado na praça no centro de Campinas, esperando que alguém responda as minhas ligações e responda ao meu atraso, enquanto eu espero, não preciso de tinta ou de papel para escrever, posso, simplesmente, usar as letras que estão ao meu alcance. Quais estão? Basta usar a imaginação.

Basta usar a imaginação, se você quer escreveu sobre uma mulher que tem o nome que corresponde a brancura da neve e conhece sete anões travessos, você pode procurar está melhor mundo a fora, coletar relatos, procurar os anões, coletar relatos e depois é só organizar ele de mudo sucinto e coerente. Ou então, você pode, apenas, imaginar eles por aí.

Sim, por aí, e se quiser pode um papo com eles antes de escrever, a vontade, pois a tinta nunca seca, a tinta das letras nunca secam.

Você não precisa colher relatos de um recruta da ONU no Haiti para escrever sobre ele, é só, começar como se fosse uma vez, e depois… Bom, depois não importa.

Voltando novamente a praça no centro de Campinas enquanto eu esperava. Eu não tinha papel, não tinha caneta, não tinha teclado, não tinha monitor. Mas mesmo assim adicionei mais algumas boas páginas de lucidez ao livro Ego. Até ser despertado do delírio por um celular chato.

Mas não crucifiquei o celular, ou quem estava do outro lado da linha. Na realidade pouco importa, a tinta nunca seca mesmo.

E a glória de escrever está bem por aí, você pode pensar em algo na frente do teclado, ou escrever com tintas perpétuas mais algumas páginas da poesia do ego, ou responder a um insight a 01:20 da madrugada. Ou ir dormir, e escrever sonhos, no mundo do sono

    Lucas Lins.

Posted by L. L. at 05:24:20 | Permalink | Comments (2)

Saturday, May 12, 2007

Transforterra, transformar.

Há mais ou menos meia hora eu pensei que o “momento de inspiração” iria durar uma eternidade. Eu estava errado. Não quero que dure muito, só uma vida inteira, quer dizer: pode ser dois dias, seis meses, 90 anos, não importa o número, mas que seja uma vida inteira.

Uma vida inteira é o suficiente, com certeza é, nem mais nem menos, o que importa é que com essa inspiração de vida inteira dê para criar, matar alguma coisa.  Coisa texto, coisa poema, coisa arte.

Uma vida inteira, não peço mais nada.

Certo, peço sim. Que sejam várias, várias vidas.

Várias vidas, várias vidas, varridas.

Várias e suficientes para um “magnum opus”.

São fumaças de incenso, nascem na brasa de uma idéia, vivem suas vidas inteiras dançando espirais, até que, gradativamente, sejam abraçadas e consumidas pelo nada. Até que só sobreviva o doce ensurdecedor do áspero cheiro.

Gradativo corpo.

Gradativamente.

Até que transforme terra, transforme mar.

E lá vou eu.

Pra onde?

Pra ação de transformação.

    Lucas Lins.

 PS: Aí eu pensei, não vou postar esse lixo. Aí eu pensei, ninguém vai ler mesmo.

Posted by L. L. at 01:55:02 | Permalink | Comments (1) »