Sim,
rigidez cadavérica.
Jurar,
sangrar, endurecer,
esfriar,
ser carregado.
Não,
rigidez cadavérica.
Prometo, juro que
se serei carregado,
frio, duro e parado.
Só depois do último suspiro
só depois do último tiro
só depoisdo último giro
Só depois de ter gestado o último suspiro-verso.
Dedicadoà
rigidez cadavérica.
Que se parar, parar irá
os meus reversos,
mas não
os
meus
(só teus)
versos.
Lucas Lins.
Se
Se irei, confesso
que não sei.
Mas se ei, voarei.
E se minha forma
oceânica, deixa. Sei!
Se sei!
Pois se há formas:
Minhas prosas,
poças, perigosas,
preguiçosas.
Se magnífico, bonito,
cheiroso. Eu, invejoso.
Se faço, horroroso,
osso, seboso. Disforme
oceano, de canto
e canto:
Se
Apenas cê.
Lucas Lins.
Acordei – talvez madrugada –
uma claridade estranha
novamente invadia o cômodo,
dessa vez era a escuridão
quem falava mais alto.
O pouco de luz (estranha e) lunar
que entrava pela janela escancarada
era o suficiente
para dar vida àquela escuridão.
Tudo tão escuro
que pouco que via
eram sombras passando
pelos meus olhos, como fumaça,
tudo ali parecia dançar ao rítimo da minha respiração
tudo subia, disperçava e
s u m i a,
de-sa-pa-re-ci-a.
Como fumaça,
como fumaça viva.
Viva suficientemente
para inspirar esses versos
que de tão escuros
não consigo lê-los.
Apenas, tragá-los.
E entre essa confusão:
Flutei junto da fumaça,
e finalmente,
me respirei.