O Sacrifício.
E ele começou o que terminaria no seu fim:
Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. Pai nosso que estais no céu, a tudo que me aconteceu, a tudo que vi e vivi na vida. A tudo que aconteceu no mundo, a tudo que o mundo viu e virá, entrego a ti, meu corpo, minhalma. Faça o que te é direito dela, e que com este sangue que te ofereço, não faça mais a terra chorar tanto. Que a minha gota de sangue, seja a última. Amém.
E finalmente, colocou o gelado metal dentro da boca, uma lágrima deveria escorrer daqueles olhos fechados e trêmulos, mas não. A mão tremia, o corpo tremia, a alma tremia. O sol tocava com ternura a cansada face, já escorriam filetes de baba pelo cano do revólver, tentou dizer mais alguma coisa, mas o cano da arma que precionava a língua foi o suficiente para calar o eterno, e para a palavra não pronunciada, um grito:
BLAM!
O sangue pintou a parede, o corpo já numa posição impossível e a mão ainda não soltou, nem o revólver, nem o terço, nem a esperança de sacrifício.
Lucas Lins.