Wednesday, March 12, 2008

O Sacrifício.

E ele começou o que terminaria no seu fim:

Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. Pai nosso que estais no céu, a tudo que me aconteceu, a tudo que vi e vivi na vida. A tudo que aconteceu no mundo, a tudo que o mundo viu e virá, entrego a ti, meu corpo, minhalma. Faça o que te é direito dela, e que com este sangue que te ofereço, não faça mais a terra chorar tanto. Que a minha gota de sangue, seja a última.  Amém.

 
E finalmente,  colocou o gelado metal dentro da boca, uma lágrima deveria escorrer daqueles olhos fechados e trêmulos, mas não. A mão tremia, o corpo tremia, a alma tremia. O sol tocava com ternura a cansada face, já escorriam filetes de baba pelo cano do revólver, tentou dizer mais alguma coisa, mas o cano da arma que precionava a língua foi o suficiente para calar o eterno, e para a palavra não pronunciada, um grito:

BLAM!

O sangue pintou a parede, o corpo já numa posição impossível e a mão ainda não soltou, nem o revólver, nem o terço, nem a esperança de sacrifício.

                 Lucas Lins.

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Tuesday, March 4, 2008

Libélulas.

Voar,
voar,
se desfazem e giram
no ar.
 
Voar,
voar,
(des)atam
os laços do ar.
 
E só:
 
Água fria sob os pés.
Brisa.
Gramas, folhas
rolhas!
Tolas
células outras.
 
Dançam as tontas voadoras
brancas, bobas e loucas…
 
Libélulas.            
 
                Lucas Lins.
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