E o vento, que vem assoprando
de longe e nos atinge já sem força.
E a luz fraca que fecha os olhos
com sutil toque.
E o balanço do mundo que
intensiona jangadas.
E as tragédias que giram o mundo.
É o mundo que gira nos teus olhos.
Lucas Lins.
Naquele momento senti.
No topo da passarela que atravessava a rodovia,
a lua pra lá o pôr-do-sol pra cá.
Senti.
Os carros passando sob meus pés,
o vento da recente noite já robusto,
eu via uma veia da cidade correndo,
o coração dela palpitando
e o pulmão dela me tragando.
E eu.
No topo, fora do fluxo.
Externo à vida incessante da cidade,
me senti um tumor.
Um cancêr malígno avesso a todas
aspirações da metrópole.
Nesse estado de hiperlucidez
entendi que era tão atroz à cidade
quanto era seu filho.
Eu podia ver e sentir o movimento
eu não fazia parte do movimento!
Estava longe! Distante!
Ao meu próprio movimento!
E como elemento externo eu compreendi o caos.
Pois eu, tumor, o gerava.
E sendo tumor:
Amei matar.
Lucas Lins.
Parece que é sonho,
o jardim flexível,
as flores violetas,
sol tão doce quanto o mel,
o vento estritamente amarelo.
E o céu, maravilhosamente perfumado.
Quero que não seja.
Não, não é sonho.
É miragem, a faraônica escultura,
o glorioso sino da poesia nascendo
e,
finalmente, me moldando.
Me sinto privilegiado,
posso sentir as marteladas esculturais,
o eterno toque, o sopro gélido e…
Os olhos de medusa.
Enquanto eu, tolo. Sendo consumido.
Sorrio.
Lucas Lins.
Abri a janela do quarto,
sentei ao lado do oceano
e senti uma leve brisa gelada.
Beijei a dama, abracei o cosmo.
Declamei todo meu amor que fora roubado.
Cuspi na areia, odiei o céu
e os vermelhos lábios.
Nada era capaz
de me livrar daquelas correntes
que sujavam meu peito de viscosa graxa
e óleo e feriam meu tolo interior.
E talvez agora, nem o terno sorriso
seria capaz de conter a vontade de me livrar
de tão abusivo e malévolo sentimento.
Impregnava meu ser!
O suspirar já não era mais eficiente pra expelir!
Que como solução: Cuspir!
Gritar! Escarrar todo meu amor as malditas estrelas!
E finalmente morrer em paz.
Enquanto as lágrimas ferozes eram ditas
as palavras rolavam nos rostos, porquê ninguém…
Ninguém queria que fosse assim…
Lucas Lins.