Visões do Oceano – O Tumor
Naquele momento senti.
No topo da passarela que atravessava a rodovia,
a lua pra lá o pôr-do-sol pra cá.
Senti.
Os carros passando sob meus pés,
o vento da recente noite já robusto,
eu via uma veia da cidade correndo,
o coração dela palpitando
e o pulmão dela me tragando.
E eu.
No topo, fora do fluxo.
Externo à vida incessante da cidade,
me senti um tumor.
Um cancêr malígno avesso a todas
aspirações da metrópole.
Nesse estado de hiperlucidez
entendi que era tão atroz à cidade
quanto era seu filho.
Eu podia ver e sentir o movimento
eu não fazia parte do movimento!
Estava longe! Distante!
Ao meu próprio movimento!
E como elemento externo eu compreendi o caos.
Pois eu, tumor, o gerava.
E sendo tumor:
Amei matar.
Lucas Lins.
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