* * *
Algo me fere,
me fere eternamente.
me fere eternamente.
Meus ossos sendo retirados da tumba,
o foço penetrado, meu singelo pedaço de chão agora corrompido.
Pás, artifícios metálicos em punhos de caros amigos.
O cravejar gritante do metal no meu marrom pedregulhoso,
o pé voraz mergulhando a pá entre minha ossada.
Falo da prisão do mundo,
que já não me faz sentir morto.
Nem enterrado.
As pás mordendo o chão em cima dos meus olhos,
do meu crânio.
Rompendo a cúpula de minhas costelas.
Estão me escavando.
Nem ser consumido pelos vermes que escolhi posso.
Até do sono eterno me privam.
Estão a me escavar! Me enterrem!
Lucas Lins.