Friday, August 22, 2008

* * *

Algo me fere,
me fere eternamente.

Meus ossos sendo retirados da tumba,
o foço penetrado, meu singelo pedaço de chão agora corrompido.
Pás, artifícios metálicos em punhos de caros amigos.
O cravejar gritante do metal no meu marrom pedregulhoso,
o pé voraz mergulhando a pá entre minha ossada.

Falo da prisão do mundo,
que já não me faz sentir morto.
Nem enterrado.
As pás mordendo o chão em cima dos meus olhos,
do meu crânio.
Rompendo a cúpula de minhas costelas.

Estão me escavando.

Nem ser consumido pelos vermes que escolhi posso.
Até do sono eterno me privam.
Estão a me escavar! Me enterrem!

                Lucas Lins.

Posted by L. L. in 03:47:41 | Permalink | Comments (1) »