Saturday, October 11, 2008

as cores íntimas.

sou giz,
escorrego seco
entre suas curvas.
eu, sem cor,
me sacio no néctar
do teu rosa.
 
te pinto
com meus tons opacos,
teu suor
dissolve meus grânulos:
em aquarela seus rosas
tornam-se vermelho.
 
ofegantes.
já não há mais cores pra distinguir.
borramos tudo de prazer.

                Lucas Lins.

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Thursday, October 2, 2008

Pastel.

Os tons opacos,
esvoaçados, trêmulos.
Fora de foco.
Leve demais, translúcido.
Sem brilho.
Ocre.
 
Minha vida é assim.
Não há vermelho gritante no batom dos lábios.
Só aquele ocre empoeirado, aquele tom feito de pastel
que se varre de dentro das casas em tardes secas,
cheias de ventos, mas não tão frias.
 
Qualquer tentativa de cor não
passa de uma aquarela alheia
que cedo ou tarde se vai em água.
Flores  e folhas mortas amareladas.
 
Luzes fracas detidas na cortina.
Tardes de domingo melancólicas,
canecas de plástico e tapetes sujos.
 
Esse vinho é horrível, suave demais.
Quase não é tinto. Mas ainda assim bebo,
não serve mais pra me preencher de carmim,
mas ainda pra esquecer de mim.
Borrar o pastel opaco. Dor de cabeça.
 
Luzes fracas detidas na cortina.
Madrugadas melancólicas,
cheias de poeira. Pastel seco.
 
Sou a folha seca que invade seu quintal.
 
                Lucas Lins. (revisão)
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