Apesar do sol chovia muito.
Estava na posição de passageiro, só observava.
As ruas caóticas e imundas de cinza, o sol.
O sol.
Me tranquei em mim e apenas observei,
vi o furacão que devastou tudo aquilo. A tempestade.
E a mim, apenas relatar. Sussurar:
o vento
os cachorros
as multidões
a velha
os prédios
o sol.
Porque eram pura expressão de desolação.
Aquilo me chocava, no entanto apenas sussurava.
Estava caminhando por uma região pobre.
O sol estava forte, um vento frio batia nas gotas de suor.
Casas feias, portões enferrujados, calçadas imundas. Janelas.
O sol estava forte. Uma velha mulher sentada na frente de sua casa:
olhos vagos
lenço azul na cabeça
rosto enrrugado
magra
longos cabelos brancos
mais de oitenta.
Passei perto de um rio,
Estava nojento, sujo.
Fedia. Mata ciliar jamais existiu,
um amontoado de lixos. Dejetos domésticos.
Uma doença, o cancêr da cidade havia alcançado o rio,
a mesma doença que constrói prédios e multidões de olhos vagos.
Aquele tumor grotesco que cresce e cresce e cresce.
Por um momento o admirei.
Me tranquei em mim e apenas observei,
vi o furacão que devastou tudo aquilo. A tempestade.
Quando a chuva é forte buscamos abrigo
exilados pela chuva.
Todos nós queremos sair, eu sei, mas a chuva não quer deixar.
Vi uma chuva então que prendia aquelas pessoas em suas vidas,
as pessoas estavam esperando ela acabar pra sair e enfim viver,
a velha já não estava mais sedenta para que a chuva cessace.
Mas o rio e as crianças, e os pais das criancas, e os cachorros
e os jornaleiros, e as pombas, e os prédios
só estão ali pelo abrigo e ainda esperam a chuva passar.
E com certeza, só permanecerão ali até a chuva passar. Se passar.
Obrigados a permanecer onde não querem
ao gosto da chuva.
A cidade da garoa
ao gosto da chuva.
As ruas caóticas e imundas de cinza, o sol.
O sol.
Me tranquei em mim e apenas observei,
vi o furacão que devastou tudo aquilo. A tempestade.
E a mim, apenas relatar. Sussurar:
o vento
os cachorros
as multidões
a velha
os prédios
o sol.
Porque eram pura expressão de desolação.
Aquilo me chocava, no entanto apenas sussurava.
Estava caminhando por uma região pobre.
O sol estava forte, um vento frio batia nas gotas de suor.
Casas feias, portões enferrujados, calçadas imundas. Janelas.
O sol estava forte. Uma velha mulher sentada na frente de sua casa:
olhos vagos
lenço azul na cabeça
rosto enrrugado
magra
longos cabelos brancos
mais de oitenta.
Passei perto de um rio,
Estava nojento, sujo.
Fedia. Mata ciliar jamais existiu,
um amontoado de lixos. Dejetos domésticos.
Uma doença, o cancêr da cidade havia alcançado o rio,
a mesma doença que constrói prédios e multidões de olhos vagos.
Aquele tumor grotesco que cresce e cresce e cresce.
Por um momento o admirei.
Me tranquei em mim e apenas observei,
vi o furacão que devastou tudo aquilo. A tempestade.
Quando a chuva é forte buscamos abrigo
exilados pela chuva.
Todos nós queremos sair, eu sei, mas a chuva não quer deixar.
Vi uma chuva então que prendia aquelas pessoas em suas vidas,
as pessoas estavam esperando ela acabar pra sair e enfim viver,
a velha já não estava mais sedenta para que a chuva cessace.
Mas o rio e as crianças, e os pais das criancas, e os cachorros
e os jornaleiros, e as pombas, e os prédios
só estão ali pelo abrigo e ainda esperam a chuva passar.
E com certeza, só permanecerão ali até a chuva passar. Se passar.
Obrigados a permanecer onde não querem
ao gosto da chuva.
A cidade da garoa
ao gosto da chuva.
Lucas Lins.