Monday, December 29, 2008

Insônia.

A pessoa que não existe deita-se ao meu lado,
através da luz da janela, pelo luar distinguimos formas:
uma canção intensa, mas silenciosa soa
na escuridão.
 
A noite é quente.
Sento na cama, percebo o quão péssimo padeço.
A cabeça desolada e encostada na parede pensa
quantos anos-luz estou de casa.
 
Quantos?
Aquele que não existe diz
que não estou há anos-luz de casa,
mas apenas uma estrela de distância.
Aquela distância curta e incomensurável de cinco palmos
há um grito de distância,
um cigarro, um abrolho,
mais uma xícara de café,
uma vela, um suspiro,
uma cor.
 
A pessoa que não existe sou eu
refletido na madrugada,
preso no vento
e no ventre.
Calculo a possível distância entre mim e eu,
mas é só mais um verso que cai chorando…
pelos sorrisos e olhos que me vem e vêem
a singela luz de uma vela,
um latido quebradiço na madrugada,
a insônia,
a fome e um piscar de olhos gritam a imensa fragilidade da vida
e mais um poema.

            Lucas Lins.

Posted by L. L. at 21:14:58 | Permalink | No Comments »

Sunday, December 14, 2008

* * *

A solidão se multiplica,
te consome. De olhos abertos vejo uma parte de mim morrer.
Aqui, junto de mim, onde nada é verdadeiro,
se desfalece de mim eu mesmo,
me separo e esfarelo em pó,
um pó ocre,
que as chuvas vêem e levam sem motivo algum
deixando poças sujas e marrons e sombrias,
onde será que me perdi?
Nas poças ou nas cores?
Sem saber se já me possui, me perco.
Como posso ser minha própria peste!?
O ar é pesado, já não somos criminosos.
Não suporto meu peso,
esse peso enorme que cresce enquanto
viro pó e me torno chuva…
sem nunca ter sido nuvem.
 
Nego a vida de porcelana,
faço como outros milhares
milhares!
Uso o alfabeto secreto,
arrisco tudo por esse meu pó! Este
que cai de mim partícula à partícula
desesperadas por vida,
cada uma gritando e chorando, desesperadas por vida!
Me despedaçando…
Se vou sangrar eu mesmo me chupo,
nenhum vampiro me tocará
me aplaudirá!
Esse meu espólio,
esse meu suor, esse meu pigmento colore lágrimas!
E será o mais bonito e grandioso que jamais verão.
 
Posso sentir as marteladas esculturais,
o eterno toque, o sopro gélido e…
os olhos de medusa.
 
 
            Lucas Lins.
Posted by L. L. at 20:16:19 | Permalink | Comments (1) »