* * *
A solidão se multiplica,
te consome. De olhos abertos vejo uma parte de mim morrer.
Aqui, junto de mim, onde nada é verdadeiro,
se desfalece de mim eu mesmo,
me separo e esfarelo em pó,
um pó ocre,
que as chuvas vêem e levam sem motivo algum
deixando poças sujas e marrons e sombrias,
onde será que me perdi?
Nas poças ou nas cores?
Sem saber se já me possui, me perco.
Como posso ser minha própria peste!?
O ar é pesado, já não somos criminosos.
Não suporto meu peso,
esse peso enorme que cresce enquanto
viro pó e me torno chuva…
sem nunca ter sido nuvem.
Nego a vida de porcelana,
faço como outros milhares
milhares!
Uso o alfabeto secreto,
arrisco tudo por esse meu pó! Este
que cai de mim partícula à partícula
desesperadas por vida,
cada uma gritando e chorando, desesperadas por vida!
Me despedaçando…
Se vou sangrar eu mesmo me chupo,
nenhum vampiro me tocará
me aplaudirá!
Esse meu espólio,
esse meu suor, esse meu pigmento colore lágrimas!
E será o mais bonito e grandioso que jamais verão.
Posso sentir as marteladas esculturais,
o eterno toque, o sopro gélido e…
os olhos de medusa.
Lucas Lins.
te consome. De olhos abertos vejo uma parte de mim morrer.
Aqui, junto de mim, onde nada é verdadeiro,
se desfalece de mim eu mesmo,
me separo e esfarelo em pó,
um pó ocre,
que as chuvas vêem e levam sem motivo algum
deixando poças sujas e marrons e sombrias,
onde será que me perdi?
Nas poças ou nas cores?
Sem saber se já me possui, me perco.
Como posso ser minha própria peste!?
O ar é pesado, já não somos criminosos.
Não suporto meu peso,
esse peso enorme que cresce enquanto
viro pó e me torno chuva…
sem nunca ter sido nuvem.
Nego a vida de porcelana,
faço como outros milhares
milhares!
Uso o alfabeto secreto,
arrisco tudo por esse meu pó! Este
que cai de mim partícula à partícula
desesperadas por vida,
cada uma gritando e chorando, desesperadas por vida!
Me despedaçando…
Se vou sangrar eu mesmo me chupo,
nenhum vampiro me tocará
me aplaudirá!
Esse meu espólio,
esse meu suor, esse meu pigmento colore lágrimas!
E será o mais bonito e grandioso que jamais verão.
Posso sentir as marteladas esculturais,
o eterno toque, o sopro gélido e…
os olhos de medusa.
Lucas Lins.