Wednesday, February 25, 2009

O fauno e a maçã.

Lua rosa e máscaras de carnaval e
montanhas plácidas de pele suave, ela.
Penetrarei no seu abismo e minha repetição
irá fazê-la cantar.
Como faunos fazem.
Ela cantará bonito
o canto dos anjos,
a maior beleza que jamais escutarei
da sinceridade dos espólios pessoais da cama.
Nossa cama.

Afogado na embriaguez de um sentimento
ou tolo preso na loucura de um balé de fumaça:
Tudo.
Ou nada.
Flutuaremos abraçados no chão gelado
e tudo terminara em brasa
enquanto a brasa termina nos lábios.
Enlouquecer e seus rituais pessoais:
abraçar o oceano e nos afogar em fumaça e espumas de sal.
E nunca, nunca mais respirar.

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Friday, February 6, 2009

Mares e morros.

O castanho flutuando sutil no mar branco dos olhos,
praias em pálpebras atingidas em ondas espumantes
pelo mesmo castanho que rodeia em curiosidade.
Tal castanho grande transforma em contraste:
a mais brancura do rosto da menininha com o castanho
e
aquilo que reflete nos olhos.
Movimento rápido dos olhos capta paisagens ainda raras
e extraordinárias, morros em movimento.
Mares em morros mineiros e
oceanos úmidos no globo dos olhos que refletem o céu.
A doçura e simpatia da inocência faz
os dedos delicados quererem alcançar tudo.
E toda satisfação e sorriso que nasce do então mundo novo
é metabolizada e enfileirada e processada em espasmos de criação:
a menininha sentada no ônibus olhando pela janela
canta uma melodiazinha de afeto e natureza.
 
E os morros e os mares dançam ao ritmo.
 
            Lucas Lins.
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O estilhaço dela.

O estilhaço dela fragmentado em violência
e projetado contra mim
na mais pura e ardida versão dela –
aquela que ela mais odeia
arremessado contra meus olhos e
boca.
 
Estilhaço gritado!
Que ela se desfaz chorando por ódio
do pecado que pedaça.
Se desfaz,
desliza,
e me depedra
com o que surge do que mais fez mal a ela:
a rendição ao prazer.
Atingido, me glorifico com mais que um sorriso.
 
Por ser alvo do
estilhaço dela
que enquanto ela arremessa, goteja em mim.
O fragmento violento do que mais odeia aos meus lábios é orvalho
e me sacio de boca na explosão.

            Lucas Lins.

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