O vento
I
Sopra,
entra e sai da atmosfera.
Toca nossa pele e
frui em vida, espera.
Flui no rosto.
Sobe nas nuvens,
então cai, espera.
Vento azul suave,
balança as folhas.
Se quer, torna-se fumaça.
Vicia, espera.
Como fumaça.
Entra e sai da vida,
sobe e cai das nuvens,
desestabiliza no ar e
desaparece.
Imune,
disforme e adaptável,
escorregadio desaparece.
II
Meus limites se evaporam
escapo pelos meus e pelos teus poros.
Ar pesado, caio no chão e
sedimento, em cortina de fumaça
escorro pela tua janela,
penetro pelos teus caminhos,
alcanço tua alma,
mas já escapei pelas tuas frestas.
Desaparece.
Encontro-te nas nuvens,
eu dentro de você.
Desapareço na frente dos teus olhos.
Não furacão, brisa. Vou caminhando,
subindo ou descendo
diluindo, impregnando,
desaparecendo.
Aparece
sorri nos teus lábios
borra sua face
balança nossas folhas.
Danço com você e a borboleta,
giro, rodopio.
Sou presente, sou vento.
Desapareço.
Há frio dentro e fora de mim.
Apareço e padeço,
voo junto com os carcarás de mim,
desapareço.
Em grande matilha,
com toda minha orquestra,
com todas minhas cores,
viro de costas, cabisbaixo
desarmado, desamado
sopro e desapareço.
Desço uma grande rua em mim,
vento-me cidade abaixo.
Em meu subúrbio:
esqueço,
apareço e
desapareço.
Sopra,
entra e sai da atmosfera.
Toca nossa pele e
frui em vida, espera.
Flui no rosto.
Sobe nas nuvens,
então cai, espera.
Vento azul suave,
balança as folhas.
Se quer, torna-se fumaça.
Vicia, espera.
Como fumaça.
Entra e sai da vida,
sobe e cai das nuvens,
desestabiliza no ar e
desaparece.
Imune,
disforme e adaptável,
escorregadio desaparece.
II
Meus limites se evaporam
escapo pelos meus e pelos teus poros.
Ar pesado, caio no chão e
sedimento, em cortina de fumaça
escorro pela tua janela,
penetro pelos teus caminhos,
alcanço tua alma,
mas já escapei pelas tuas frestas.
Desaparece.
Encontro-te nas nuvens,
eu dentro de você.
Desapareço na frente dos teus olhos.
Não furacão, brisa. Vou caminhando,
subindo ou descendo
diluindo, impregnando,
desaparecendo.
Aparece
sorri nos teus lábios
borra sua face
balança nossas folhas.
Danço com você e a borboleta,
giro, rodopio.
Sou presente, sou vento.
Desapareço.
Há frio dentro e fora de mim.
Apareço e padeço,
voo junto com os carcarás de mim,
desapareço.
Em grande matilha,
com toda minha orquestra,
com todas minhas cores,
viro de costas, cabisbaixo
desarmado, desamado
sopro e desapareço.
Desço uma grande rua em mim,
vento-me cidade abaixo.
Em meu subúrbio:
esqueço,
apareço e
desapareço.